Tratamento e controle para o HPV

Afinal, existe tratamento para a verruga do HPV (também conhecido como o Vírus do Papiloma Humano)?

A resposta é: não há um tratamento curativo para o condiloma acuminado, a verruga causada pelo HPV (o vírus do papiloma humano). A erradicação ou redução dos sintomas é o objetivo primário do tratamento das verrugas ano-genitais, mas a eliminação das lesões displásicas é o objetivo do tratamento das lesões escamosas intra-epiteliais.

O tratamento é proposta aos pacientes com verrugas visíveis. A ideia é eliminar ou controlar a maior parte das verrugas visíveis até que o sistema imune do hospedeira controle a replicação viral.

O tratamento não é indicado para lesões anogenitais subclínicas da mucosa, na ausência de displasia co-existente.

Tratamento de verrugas do HPV

Não há um tratamento que se mostre superior a outro no tratamento das verrugas. A escolha do tratamento depende do tamanho das lesões, a morfologia, o número, o sítio anatômico, o custo envolvido e a disponibilidade do método, excisão cirúrgica, eletrocauterização, crioterapia, ablação química.

A maioria dos pacientes requer múltiplas seções. Se o método utilizado não for efetivo após 3 tentativas,ou se não houver cura após 6 tratamentos consecutivos, o médico deve pensar em alterar a forma de tratamento.

Pacientes imunodeprimidos, ou portadores do vírus HIV podem requerer um tratamento mais agressivo, por vezes multimodal. Como a recorrência é alta, os resultados podem ser frustrantes para médicos e pacientes.

Subgrupos de pacientes

  • Gestantes: As taxas de infecção por HPV são maiores nas gestantes. INterferon, 5-Fluouracil e Podofilina não devem ser usados em gestantes. Há risco de transmissão do vírus à mucosa orofaríngea do neonato.
  • Pacientes com risco aumentado para câncer: Os portadores de verrugas ano-genitais têm risco aumentado para câncer anogenital. o HPV é a principal causa para o câncer do colo uterino (90% do total).
  • Pacientes com verrugas perianais e HIV e aqueles com história de atividade sexual anal receptiva têm risco aumentado para lesão escamosa intra-epitelial (displasia moderada a severa, e carcinoma in-situ). Cânceres de pênis, vulva, vagina, anal e cabeça e pescoço têm ligação com a infecção pelo HPV.
  • Crianças: Verrugas genitais são raras em crianças. Pode ter ocorrido inoculação incidental durante o nascimento. Porém, nesses casos, o profissional de saúde deve suspeitar de abuso sexual.
  • Prevenção: Evitar sexo desprotegido, o uso de preservativos e a postectomia prévia nos parceiros masculinos são fatores protetivos
  • Vacina: No nosso meio não está ainda disponível a vacina 9vHPV.  Pacientes doe 9 a 14 anos devem receber duas doses e pacientes de 15 a 45 anos deve receber três doses da vacina.

O Dr. Manoel Guimarães (CRM/PR 9849 | RQE 3304) é mestre e doutor em Urologia. Tem mais de 30 anos de experiência na área, foi professor de Urologia por 20 anos e é atualmente médico urologista do Hospital de Clínicas da UFPR. Atua na área de oncologia, próstata, cálculos, impotência, ejaculação rápida, vasectomia, bem como toda a área da Urologia.

Confira mais artigos no blog da Clínica Belluno ou, para maiores informações, entre em contato pelo telefone (41) 3242-5353.

Candida Auris: uma nova infecção por fungo

Doenças infecciosas causadas pelo fungo Candida Auris espantam pacientes de todo o mundo e são classificadas como urgentes pelo CDC.

Uma doença infecciosa causada pelo fungo Candida Auris está chamando a atenção da comunidade científica e de pacientes. Classificada como urgente pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a infecção é altamente contagiosa e está se tornando mais  presente diferentes centros. Quem traz a informação é o artigo do Medscape, “Candida auris Spreads Through US Hospitals”.

O Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos incluiu a Candida Auris na lista de germes classificados como ameaças urgentes visto que, segundo o órgão, houve um número crescente de infecções pelo fungo em vários países (como Venezuela, Austrália, Malásia, Holanda, Noruega, Suíca, Índia, Alemanha, França Espanha, Reino Unido, Estados Unidos, Rússica, Colômbia, entre outros) desde que ele foi reconhecido.

O que é a Candida Auris?

A infecção causada pela Candida Auris não tem uma data ou local exatos de surgimento, tampouco se sabe quais as condições que propiciaram sua proliferação. O fungo teve seus primeiros registros na Coréia do Sul, em 1996, e posteriormente em uma infecção no ouvido de um paciente no Japão, em 2009.

De acordo com infectologistas, a Candida auris é fruto da evolução do gênero Candida, que habita o trato gastrointestinal humano. A nova espécie é preocupante, pois se mostra altamente resistente às ações de medicamentos.

Segundo o CDC, ainda, a infecção pelo fungo se dá no sangue, ouvido e em feridas ainda não-cicatrizadas de forma sistêmica. Ele pode causar complicações severas provenientes de infecções (sepses) em pacientes hospitalizados, imunodeficientes, já com histórioco de tratamento multiplos.

Não é claro se a Candida auris causaria infecções no trato urinário ou no pulmão, mas a possibilidade não é descartada.

Como se dá a infecção pelo Candida Auris e quais seus sintomas?

A Candida Auris pode ser transmitida pelo toque em superfícies e pessoas infectadas, especialmente em ambiente hospitalar. Pessoas infectadas podem ficar até meses com a colonização fúngica na pele e assim espalhar para outras pessoas.

Os mais propensos a sofrer com a infecção passaram por procedimentos invasivos, fazem uso de cateteres, podendo assim desenvolver uma doença associada ao ambiente hospitalar. Os sintomas da infecção pelo fungo podem passar despercebidos, já que maioria dos pacientes identificados pelo CDC já estava hospitalizada por outros problemas.

Os sintomas mais comuns em pacientes, segundo o órgão, são febre e calafrios que não melhoram mesmo após o tratamento com antibióticos, o que pode ser confundido caracteriza com uma possível infecção bacteriana e não por fungo.

A notícia boa é que uma nova classe de antifúngicos, que foram desenvolvidos desde o fim da década 1990, tem se mostrado promissora no controle dessa infecção, chamadas echinocandiins. Além disso, novas drogas estão sendo pesquisadas e testadas, bastante promissoras contra a Candida Auris.

Fontes e referências:

Sucesso absoluto do X Congresso Internacional de Urologia e Câncer em São Paulo

Mestre e doutor em Urologia marcou presença no evento internacional que discute as melhores práticas em Urologia e Oncologia.


O X Congresso Internacional de Uro-oncologia (V Simpósio Multiprofissional de Uro-oncologia) aconteceu entre os dias 6 a 9 de abril no espaço Sheraton São Paulo WTC Hotel em São Paulo (SP). O evento, organizado pelo Centro Oncológico do Hospital Israelita Albert Einstein, capitaneado pelo oncologista Fernando Maluf de São Paulo, contou com a participação de renomados especialistas em Urologia, como Dr. Laurence Klotz de Toronto e Dr. Karim Troujier de Nova York, e ainda famosos experts da Oncologia Clínica, como Dr. Christopher Sweeney e Dr. Karim Fizazi.

Dr. Guimarães marcou presença no congresso como participante e presenciou palestras que abordaram os últimos avanços tecnológicos no tratamento de doenças como o câncer de próstata, câncer de bexiga e câncer de rim.

Grade destaca terapias oncológicas e seus resultados

Entre assuntos discutidos, terapias e melhores abordagens para resultados no tratamento de doenças oncológicas ganharam destaque. O evento contou com palestras e mesas-redondas sobre metologias de análise, informações críticas, as melhores tecnologias, não somente para o alcance de de resultados e sobrevida, mas também relacionados ao bem-estar e qualidade de vida dos pacientes.

Palestrantes de cunho internacional lideraram os assuntos, como o mestre canadense Laurence Klorz, o Dr. Anthony Laurence Zietman (radioterapeuta da Universidade de Harvard, USA) e o cirurgião-especialista Karim A. Touijer (veja a grade de convidados internacionais neste link).

Cursos e premiações

Além de palestras e estudos coletivos, o X Congresso Internacional de Uro-oncologia premiou, também, estudantes e profissionais da área de Urologia e Oncologia em suas contribuições científicas.

Os trabalhos vencedores remeteram ao uso experimental da Bacillus Calmette-Guérin (BCG) como potencial droga no trato urinário superior e de que maneira a ressonância magnética multiparamétrica da próstata pode evitar biópsias em pacientes com PSA elevado.

Entre os cursos apresentados no congresso, incluem-se de Imuno-oncologia em Tumores Oncológicos, Câncer de Testículo, Medicina Baseada em Evidências em Tumores Urológicos, Cirurgia Minimamente Invasiva, Abordagens Práticas no Tratamento do Câncer, Medicina de Precisão, Radiologia, HIFU e Políticas Públicas Sobre a Saúde do Homem.

Para mais informações sobre as palestras que aconteceram no evento, visite o site oficial do X Congresso Internacional de Uro-oncologia.

O Ministério da Saúde assinou acordo que vai reduzir açúcar presente em alimentos

O objetivo é reduzir açúcar presente em biscoitos, bolos, produtos lácteos, achocolatados e misturas para bolos. O total reduzido deve se somar a 144 mil toneladas até 2022.

Este é um acordo assinado entre o Governo Brasileiro e a indústria alimentícia.  O objetivo é retirar 144 mil toneladas de açúcar de produtos alimentícios industrializados e o prazo é o ano de 2022. São quase 70 empresas envolvidas e mais de mil produtos listados para a redução. O Brasil saiu na frente de diversos países desenvolvidos no que parece ser um esforço ativo para colocar um basta na obesidade infantil e mórbida que é crescente em quase todo o mundo.

Este acordo segue o exemplo de acordos similares, como o que prevê a redução de índices de sódio em demais produtos alimentícios. Foram 17 mil toneladas de sódio “economizadas” em 4 anos de vigência do acordo. Como pode ser de seu conhecimento, açúcar e sódio são os dois maiores responsáveis por doenças de origem alimentar em todo o mundo.

A Organização mundial da Saúde sugere que níveis seguros para o consumo de açúcar circundam as 50 gramas diárias, representando um máximo de 10% das calorias consumidas por dia. Considerando que a população brasileira consome mais de 50% a mais do que o recomendado, é possível notar que isso se deve à presença excessiva de açúcar em produtos industrializados. É importante ressaltar que alguns produtos terão uma redução maior do que outros: biscoitos perderão 62% do açúcar, por que tem mais açúcar do que a média alimentar, quando comparados à outros alimentos. Tabelas específicas para cada segmento alimentício ainda serão divulgadas pelo Ministério da saúde.

O Açúcar é um dos grandes responsáveis pelas desordens de saúde de origem alimentar. Que tal cuidar mais da sua alimentação e, consequentemente, da sua saúde? Entre em contato com o Dr. Manoel Guimarães e agende uma consulta!

Fontes:

 

Foi notícia: Estudos mostram que exercícios possuem relação com proteína que atenua alzheimer em roedores

Vários sites de notícias reportaram que a prática de exercícios físicos estimula a produção de uma proteína que atenua os efeitos do alzheimer em animais. Saiba mais sobre estas notícias.

A Folha de São Paulo, o Estadão e diversos outros jornais de grande expressão no país noticiaram, nesta segunda semana de janeiro, os resultados de um estudo brasileiro sobre Alzheimer. Estes resultados foram publicados na Segunda Feira, 07 de janeiro, na revista Nature Medicine.

O estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostra que a prática regular de exercícios físicos libera uma proteína singular, chamada Irisina. No cérebro humano, essa proteína age sobre a “plasticidade” de sinapses cerebrais e, portanto, atenua problemas de memória. O interessante é que a prática de exercícios já havia sido relacionada com a redução de risco de desenvolvimento da doença de Alzheimer anteriormente e isso representa uma grande evolução na área!

“Nossas descobertas sugerem que a irisina poderia fazer parte de uma nova e atrativa terapia voltada a prevenir a demência em pacientes sob risco, assim como retardar seu avanço em pacientes em estágios avançados, incluindo aqueles que já não podem se exercitar”

Trecho da pesquisa ‘FNDC5/irisina ligada ao exercício resgata plasticidade sináptica e problemas de memória em modelos de Alzheimer

Como sabemos, a doença de Alzheimer ainda não tem cura e, infelizmente, 35 milhões de pessoas ao redor do mundo sofrem com ela. Todavia, este estudo representa um possível avanço no tratamento da demência e da contenção da doença de Alzheimer em estágios mais avançados. É claro que muito estudo ainda precisa ser realizado acerca da proteína Irisina, mas são de pequenos avanços que se constituem as revoluções da medicina. Estamos torcendo para o melhor!

Considerando que o desenvolvimento da doença de Alzheimer é uma preocupação que cobre todas as pessoas, que tal fazer check-ups periódicos? Entre em contato com o Dr. Manoel Guimarães e agende uma consulta!

 

Fontes:

 

Inovação da medicina em 2018: Cirurgia para tumores císticos do rim

Estudo recente publicado pelo Journal of Urology mostra avanços nas técnicas cirúrgicas de retirada de tumores císticos do rim. Saiba mais a seguir:

Cistos no rim são muito diversos dos tumores sólidos ou mesmo dos cálculos renais. O cisto no rim é uma pequena bolsa cheia de líquido, relativamente comum em pessoas com mais de 50 anos) e, quando é pequeno, não causa sintomas e nem representa risco de saúde para o portador. Cistos complexos e maiores, no entanto, podem representar um certo risco. São os cistos com septações, paredes irregulares, ou conteúdo espesso ou que tenham paredes calcificadas. Neste caso ele deve ser avaliado mais detalhadamente, por tomografia ou mesmo ressonância nuclear magnética.
Considerando a ausência de sintomas, principalmente quando se trata de um cisto simples, algumas pessoas podem passar vários anos sem saber que são portadoras deste problema. Ele será descoberto em exames solicitados para avaliar algum sintoma inespecífico, ou na investigação de algum sinal clinico, com ultrassonografia ou tomografia computadorizada, por exemplo.
Novo estudo sobre a cirurgia dos tumores císticos do rim:
Já há mais de 30 anos, baseados em estudos – vários deles encabeçados por Andrew Novik de Cleveland nos Estados Unidos – se faz a cirurgia preservadora de rim, a dita nefrectomia parcial. Essa cirurgia é feita mesmo para o tratamento de cistos renais suspeitos de malignidade. Ocorre que, por vezes esses cistos se rompem durante o procedimento, levando a preocupação de que a doença se dissemine no local da cirurgia. Esse assunto específico foi estudado e publicado recentemente no “Journal of Urology” (Pradere B, e cols, Volume 200, Issue 6, Pages 1200–1206).
O trabalho compilou 268 pacientes, de 8 centros diferentes, dentre os quais houve ruptura em 50 cistos. O exame anátomo patológico revelou que 75% das lesões eram realmente malignas. O seguimento foi de 32 meses em média. Houve 5 pacientes que apresentaram recorrência local, porém não houve um só caso de carcinose peritoneal (tumor disseminado no peritônio) ou mesmo nos portais de acesso da cirurgia. A sobrevida livre de doença não se alterou com a ruptura dos cistos. Os autores concluíram que a ruptura intra-operatória de cistos renais é um evento relativamente comum, e não apresenta piora prognóstica do ponto de vista do controle do câncer.
Se você deseja realizar exames para verificar a saúde dos seus rins, entre em contato com o Dr. Manoel Guimarães e agende uma consulta, os urologistas da Clínica Belluno podem esclarecer dúvidas sobre o assunto.
Fontes:
https://www.jurology.com

Nota oficial SBU e SBPC/ML – Rastreio de Câncer de Próstata

Posicionamento Oficial da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) – Rastreio de Câncer de Próstata

É reconhecido que o rastreio universal do câncer de próstata pelo exame digital retal e pela medida do antígeno prostático específico (PSA) no sangue é controverso e que a literatura traz dados conflitantes, especialmente com relação aos prejuízos potenciais versus impacto na mortalidade.

O PSA é o marcador mais utilizado para diagnóstico de câncer de próstata, mas sua utilidade clínica foi questionada devido à sua baixa especificidade, especialmente quando em níveis entre 2 e 10 ng/mL. A utilização do PSA em larga escala estaria propiciando o sobrediagnóstico e indução ao tratamento excessivo, uma vez que alguns casos de câncer que não evoluiriam de forma agressiva, não colocando a vida do paciente em risco. Esta situação se deve, principalmente, ao fato de que a medida isolada do PSA não fornece informação suficiente para se avaliar o grau de agressividade do eventual tumor existente.

Realmente, em 2012, a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos (US Preventive Services Task Force – USPSTF), se manifestou contra a medição do PSA com a finalidade de triagem populacional para o câncer de próstata, para homens de qualquer idade. Naquela ocasião, a USPSTF baseou suas recomendações nos resultados conjuntos de dois estudos: o European Randomized Study of Screening for Prostate Cancer (ERSPC)1 e o US Prostate, Lung, Colorectal and Ovarian Cancer Screening Trial (PLCO)2. Estes estudos indicavam que a triagem com a medida de PSA podia prevenir a morte por câncer de próstata de um número muito reduzido de pacientes, sempre havendo o risco da ocorrência de resultados falso positivos.

Em 2017, porém, a USPSTF publicou novas recomendações, indicando que, mesmo os médicos não especialistas, devem apresentar aos homens com idade entre 55 e 69 anos os potenciais riscos e benefícios envolvidos no rastreio do câncer de próstata e apenas realizar a triagem naqueles que, após esclarecimentos, desejarem realizar o teste. Esta nova posição é consistente com as orientações oferecidas pela American Urological Association (AUA) e pela American Cancer Society (ACS)3.

Mais recentemente, em maio de 2018, a própria USPSTF4 reconheceu que ensaios clínicos randomizados mostram que os programas de rastreamento baseados na medida do PSA em homens com idade entre 55 e 69 anos podem evitar cerca de 2 mortes por câncer de próstata a cada 1000 homens testados. Os programas de triagem também podem prevenir cerca de 3 casos de câncer de próstata metastático por 1000 homens testados. É importante referir que casos de câncer mestastático é condição clínica muito mais delicada, exigindo cuidados específicos, mais custosos e reduzida chance de cura, perda de qualidade de vida e elevada taxa de mortalidade.

Os danos potenciais da triagem incluem eventuais resultados falso-positivos. O que tem sido supervalorizado, no entanto, são os danos do tratamento cirúrgico (prostatectomia) os quais incluem disfunção erétil, incontinência urinária e sintomas intestinais. Cerca de um em cada cinco homens que se submetem à prostatectomia radical desenvolvem incontinência urinária e dois em três homens experimentam disfunção erétil a longo prazo.

A partir destas informações, a USPSTF concluiu que, para homens com idades entre 55 e 69 anos, a decisão de se submeter à triagem periódica baseada na medida do PSA deve ser individual e deve incluir a discussão dos possíveis benefícios e danos da triagem com seu médico. Ao determinar se o exame é apropriado em casos individuais, os pacientes e médicos devem considerar o equilíbrio de benefícios e danos com base na história familiar, raça/etnia, condições médicas e comorbidades.

Cabe lembrar que este intervalo etário é relativo a indivíduos sem história familiar de câncer de próstata e que não está recomendado o rastreamento em homens com 70 anos de idade ou mais.

A baixa especificidade do PSA total estimulou a pesquisa de novos marcadores que pudessem complementa-lo para o diagnóstico precoce daqueles cânceres, além de, eventualmente, caracterizar os processos que apresentassem comportamento mais agressivo.

Com a finalidade de melhorar o poder diagnóstico deste marcador, Catalona apresentou o conceito de Densidade do PSA5. Este parâmetro consiste na relação matemática entre a concentração do PSA sérico e o volume prostático, avaliado por ultrassom transretal. O racional deste conceito é que indivíduos com glândula prostática maior poderiam ter concentrações mais elevadas de PSA em circulação.

Outro recurso é considerar a Velocidade do PSA6, que é a variação da concentração do marcador ao longo do tempo. Aceita-se como adequada uma elevação na concentração do PSA da ordem de 0,35 ng/dL por ano, quando o PSA total estiver entre 4,1 e 10,0 ng/mL.

A relação PSA livre sobre PSA total acrescenta especificidade ao diagnóstico de câncer de próstata. O racional deste conceito se baseia na observação de que pacientes com hiperplasia benigna da próstata produzem mais PSA livre do que os pacientes com processos neoplásicos. Dessa forma, a relação PSA livre/total é menor em casos de adenocarcinoma.

Recursos diagnósticos mais atuais incluem a dosagem de isoformas do PSA, especialmente da PSA [-2] proPSA, identificada como p2PSA, que tem sido proposta como auxiliar para melhorar a detecção de câncer prostático nos pacientes com PSA total entre 2 e 10 ng/mL7 e exame digital retal normal8.

Adicionalmente, foi desenvolvido um índice denominado PHI, do inglês Prostate Health Index, que relaciona, matematicamente os resultados das medidas da isoforma p2PSA, do PSA total e da fração livre do PSA9.

O PHI é calculado pela fórmula (p2PSA / fPSA × √tPSA). Os valores de p2PSA e o PHI são maiores em pacientes com câncer prostático do que nos pacientes com hiperplasia prostática benigna e com prostatitee alguns estudos têm mostrado que tanto o p2PSA como o PHI estão associados à maior probabilidade de o câncer ser mais agressivo10, podendo este exame indicar ou contraindicar a realização de biópsias em até 30% dos casos.

 

Fontes: 

Sociedade Brasileira de Urologia SBU.ORG.BR

Varicocele, infertilidade e suas relações com o estresse oxidativo

A Varicocele é a dilatação anormal das veias que estão no saco escrotal. Essa doença pode se desenvolver devido ao mau funcionamento de válvulas encontradas nas veias ou pela compressão de uma veia por uma estrutura próxima.

Por mais que  não apresentam sintomas graves em um primeiro momento, varicoceles podem causar baixa produção de espermatozoides e a consequente infertilidade masculina. Não existem outros sintomas que precisem de tratamento e normalmente é possível reparar os casos que apresentam sintomas através de cirurgias.

Sendo a causa mais comum, identificável, de infertilidade masculina, orienta-se a população de meninos e jovens que façam uma consulta de avaliação com um urologista, principalmente se o pediatra apontar para alguma irregularidade. A causa que leva a varicocele, muitas vezes unilateral, à infertilidade não é totalmente entendida. Um estudo recente feito pelos pesquisadores Luna Samanta e Ashok Agarwal, publicado no “Journal of Urology“, tenta explicar essa alteração com base no estresse oxidativo e a regulação mitocondrial, causados pela varicocele no testículo. Foram estudados 50 indivíduos portadores de varicocele e infertilidade e 10 indivíduos de controle sem varicocele, com a medição do potencial de oxidação/redução do esperma. Os resultados sugerem uma possível explicação para esse questão ainda a ser comprovada: Por que a varicocele leva a infertilidade em alguns indivíduos.

 

Novas perspectivas no tratamento da infertilidade causada pela Varicocele

Acontece que, como o estudo sugere, a dificuldade da função mitocondrial é associada com a expressão diminuída de algumas proteínas responsáveis pelo funcionamento adequado do esperma, concomitante ao elevado nível de oxi-redução potencial no sêmen de pacientes com inférteis com varicocele. A estrutura mitocondrial danificada pode levar ao stress oxidativo mencionado anteriormente, além de síntese reduzida de ATP e disfunção do esperma.

As proteínas mitocondriais que se expressaram de maneira diferente serão exploradas para o desenvolvimento de biomarcadores como uma forma de “prever” a infertilidade em pacientes com varicocele. O tratamento com antioxidantes que atingem a mitocôndria do esperma pode, portanto, ser de grande valia para melhorar o status de fertilidade destes pacientes.

Se você acha que pode estar enfrentando um problema com varicocele, entre em contato com o Dr. Manoel Guimarães e agende uma consulta. O diagnóstico preventivo aumenta as chances de recuperação!

 

Fontes:

 

Rastreamento do câncer de próstata: Nova diretriz da Sociedade Brasileira de Urologia

O câncer de próstata é a segunda maior causa de óbito oncológico no sexo masculino. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), 68.220 novos casos são esperados em 2018 no Brasil.

É o tipo mais comum de câncer na população masculina em todos os territórios do país. O que é mais alarmante é que, apesar dos avanços terapêuticos, cerca de 25% dos pacientes com câncer de próstata ainda morrem devido à doença. Há, porém, um acentuado declínio nos números de diagnósticos, que se deve às políticas de rastreamento da doença e à maior conscientização da população masculina.

Há uma polêmica sobre o rastreamento que já ocorre há anos, após publicações da US TASK FORCE, nos Estados Unidos. A Sociedade Brasileira de Urologia, atualiza sua diretriz nesse assunto e você pode acessar na íntegra clicando aqui.

Os diferentes tipos de câncer de próstata e o rastreamento.

Existem dois tipos de câncer de próstata e enquanto um é menos agressivo, o outro apresenta uma alta taxa de mortalidade: ambos estão intrinsecamente ligados a fatores genéticos. Além das análises da proteína PSA dos exames de toque, esses fatores genéticos podem ser rastreados em determinada idade (dependendo do grupo onde você se encaixa), para verificar as probabilidades de desenvolvimento da doença. Isso pode garantir um diagnóstico precoce e um tratamento de qualidade que aumente as chances de sobrevida. Todavia, a decisão do uso do rastreamento do câncer de próstata por meio da realização de exames de rotina em homens sem sinais e sintomas sugestivos de câncer de próstata, como estratégia de saúde pública, deve se basear em evidências científicas, pois existem possíveis benefícios, mas também danos associados a essa intervenção.

A Sociedade Brasileira de Urologia, por sua vez, recomenda a procura de um profissional capacitado para avaliação individualizada a partir dos 50 anos de idade. Se você possui parentes de primeiro grau que tiveram a doença ou se você é de família afrodescendente deve fazer isso ainda antes, aos 45 anos.

O Dr. Manoel Guimarães é um dos urologistas da Clínica Belluno. Entre em contato e agende uma consulta!

Fontes:

 

Descoberta de imunoterapia contra o câncer leva Nobel de Medicina

O comitê do Prêmio Nobel anunciou os pesquisadores James P. Allison (esq.) e Tasuku Honju como os vencedores do Prêmio Nobel de Medicina de 2018 por suas descobertas que trouxeram avanço na imunoterapia contra o câncer.

Antes de mais nada, é necessário contextualizar você, leitor, sobre o que é a imunoterapia: Trata-se de uma maneira de combater uma doença utilizando o próprio sistema de defesa do corpo – no caso do câncer para atacar as células de um tumor. O câncer é, por sua vez, um crescimento anormal de células problemáticas, que não morrem com a mesma velocidade que nascem. Existem tumores benignos e malignos e sua gravidade é calculada com base na velocidade de crescimento e na capacidade de se espalhar para os demais órgãos (metástase).

A imunoterapia seria, neste caso, uma forma de estimular o sistema imunológico do paciente a lutar contra as células cancerígenas com todas as forças possíveis. Esse estímulo é feito por meio de drogas, que ainda estão – em sua maioria – em fase experimental. Isso não freia o otimismo da classe médica e dos pacientes, entretanto.

O Prêmio Nobel para os avanços da imunoterapia contra o câncer

O Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina de 2018 foi concedido ao americano James Allison e ao japonês Tasuku Honjo, dois pioneiros da imunoterapia. Eles desenvolveram um novo medicamento que ativa os Linfócitos T (agentes do sistema imunológico, extremamente eficientes mas também extremamente específicos quanto à sua ativação e regulação) e os “comanda” para que eles ataquem as células problemáticas sem restrição. Allison teve a ideia na década de 1990, quando muitos cientistas estavam tentando conter os linfócitos T para evitar que eles atacassem os corpos que deveriam proteger (vide as doenças autoimunes). O raciocínio foi invertido: imaginou que linfócitos com menos restrições também poderiam ser úteis em vários casos. Graças a esse pensamento, o tratamento contra o câncer evoluiu mais um pouco em 2018.

Fontes: