Exame de toque retal e o perigo do preconceito

Segundo pesquisa, 38% dos homens com mais de 60 anos, ‘grupo de risco’ para câncer de próstata, consideram o exame de toque retal desnecessário.

Não é de hoje que se conhece as inúmeras piadas com homens que atingem a idade em que se deve fazer exame de toque retal. Todo esse constrangimento criado em cima do exame faz com que muitos não procurem um médico, ignorando os perigos que isso pode trazer.

O Câncer de Próstata é o segundo mais comum no sexo masculino. É indicado que a partir dos 45 anos o homem comece a frequentar um urologista para a prevenção. Homens com mais de 50 anos possuem maiores chances de ter a doença, sendo os acima de 60 anos considerados como ‘grupo de risco’.

Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), realizada pelo Datafolha, entrevistou 1.062 homens acima de 40 anos nos últimos três meses. Destes, 38% não frequentam o urologista e 32% desconhecem os sintomas de câncer de próstata.

A doença, que se desenvolve lentamente, tem suas primeiras fases assintomáticas. Alguns sinais, como sensação de que a bexiga não esvazia completamente, problemas ao urinar e sangue na urina, já indicam um estágio avançado do câncer. O diagnóstico precoce é essencial para se ter êxito no tratamento e, por isso, o exame de toque retal é tão importante.

Segundo o presidente da SBU, Archimedes Nardozza, o exame é simples, leva apenas alguns segundos e não precisa ser feito em todas as consultas. Porém, é o suficiente para haver brincadeiras e preconceito, o que acaba intimidando os homens a cuidar de sua saúde.

Outros dados da pesquisa revelam que 21% dos entrevistados acham que o exame de toque retal “não é coisa de homem” e 48% afirmam claramente que não fazem por machismo. De acordo com Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, hoje, mais de 60% dos casos de câncer de próstata são descobertos quando a doença já está muito avançada.

Por isso, deixe o preconceito e os medos de lado. A sua saúde importa mais! Agende consultas em um urologista uma vez por ano e faça os exames necessários.

(41) 3242-5353 | (41) 9925-9999 | (41) 9977-6688

Av. Vicente Machado, 2322 – Batel

 

 

Fontes:

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2017/08/1906321-em-pesquisa-21-dizem-que-exame-de-toque-retal-nao-e-coisa-de-homem.shtml

https://www.andrologia.com.br/saiba-como-prevenir-o-cancer-de-prostata/

 

 

 

 

 

Resultados atuais de cistectomia para o tratamento do câncer de bexiga

Técnica da robótica usada para a realização da cistectomia traz melhorias e inovação para o tratamento do câncer de bexiga.

Publicação do mês de junho de 2017, no renomado Journal of Urology, pelo autor Ahmed A. Hussein e colaboradores, reporta estudo multicentrico para o tratamento cirúrgico de câncer, a cistectomia radical com lifadenectomia, usando a robótica.
Foram 1.894 pacientes operados em 23 diferentes hospitais, de 11 países, em busca de recidivas precoces da doença. Do total, 305 (22%) pacientes apresentaram recidivas, dos quais 220 (16%) doença à distância e 154 (11%) recurrência local, 17 (1%) com recidiva no peritôneo (parede interna do abdômen) e 5 (0,4%) nos portais de acesso ao sítio cirúrgico.
As recidivas de 2006 foram de 10% e de 2015 foram de 6%, mostrando uma clara evolução técnica. Fatores preditivos de uma evolução menos favorável foram o estádio do câncer, e a extensão da doença  nos linfonodos, bem como as complicações associadas à cirurgia.
Ficou comprovado, então, que houve uma melhora dos resultados com o aperfeiçoamento da técnica, sendo o resultado final desfavorável, muito mais ligado à gravidade da doença do que à técnica robótica utilizada. No nosso meio ainda não se utiliza o robô, mas a cirurgia laparoscópica pode parear esses resultados satisfatórios, nessa grave patologia.

Estudo releva maior eficácia em tratamento para câncer de próstata

O Tratamento Anti-androgênico medicamentoso foi superior à orquiectomia para o bloqueio androgênico no tratamento do câncer de próstata metastático.

Sabemos desde a década de 40 que o bloqueio androgênico é eficaz no tratamento do Câncer de Próstata Metastático. Na década de 90 surgiu a castração bioquímmica, com os análogos do LHRH, e mais recentemente antagonistas do LHRH.
Um artigo publicado no J Urol, de Junho de 2017 por Ostergreen et al, mostra, pela primeira vez, a superioridade da castração bioquímica quando comparada à castração cirúrgica.
Nesse estudo, os autores estudaram 58 pacientes e utilizaram a triptorelina injetável e a orquiectomia (castração cirúrgica) e os níveis de castração, os quais devem ser os mais baixos possíveis. Os pacientes tratados com a medicação tiveram  valores menores do que os pacientes tratados com a cirurgia.
Aguardemos para ver os desdobramentos clínicos desse interessante estudo.

Um caminho novo na presença de doença metastática

O urologista norte-americano James Eastham tem pesquisado o papel da cirurgia da próstata na presença de doença metastática.

Pude encontrar algumas semanas atrás, no VIII Congresso Internacional de Uro-oncologia, o Dr. James Eastham, urologista do Memorial Sloan Katering Cancer Center, de Nova York. Sua pesquisa clínica é focada na melhoria dos resultados pós-cirúrgicos do câncer de próstata, incluindo o controle da doença e a restauração das funções urinárias e sexuais.

Sua equipe também está começando a investigar o papel do tratamento local, por cirurgia ou radiação, em pacientes com câncer de próstata metastático de baixo volume – o que significa que o câncer se espalhou por um número limitado de outros locais. Esses homens tradicionalmente têm sido tratados apenas com terapia hormonal. E agora a equipe do Dr. Eastham está investigando o uso de tratamentos sistêmicos, como quimioterapia e cirurgia local.

A meta é prolongar a sobrevivência dos pacientes e, finalmente, curar o câncer. Com a maximização do tratamento local e sistêmico possivelmente haja ganho na sobrevivência global. Dados referentes a 20 pacientes iniciais foram publicados no J Clin Oncol 33, em 2015, com resultados que mostram que o tratamento foi bem tolerado. O ganho real, incluindo uma melhor qualidade de vida e sobrevida global ainda devem, no entanto, ser comprovadas em estudos mais abrangentes.

Fontes:

https://www.mskcc.org/cancer-care/doctors/james-eastham 

Câncer: erros em processo natural são os principais causadores

Estudo aponta que erros aleatórios, naturais no processo de duplicação do DNA, são responsáveis por mais de 60% das mutações que causam câncer.

Muito se discute sobre os causadores dos diferentes tipos de câncer. Publicado recentemente na conceituada revista Science, um estudo desenvolvido por cientistas americanos da Universidade Johns Hopkins, apontou que cerca de 66% das mutações em células que causam câncer, são provenientes de erros aleatórios e sem previsão, decorrentes do processo natural de duplicação do DNA.

Para chegar a este resultado, foram analisadas sequências de DNA de mais de 30 tipos de tumores, associados a dados epidemiológicos de bases de dados de 69 países. Além de todos os tipos de câncer apresentarem na média, dois terços de mutações provenientes de erros imprevisíveis e naturais do processo de divisão celular, 29% das alterações foram atribuídas a fatores ambientais e 5% a hereditários.

Os cientistas avaliam que em tumores da próstata, dos ossos ou do cérebro, mais de 95% das alterações estão ligadas a erros aleatórios na duplicação do DNA. Já em casos de câncer no pulmão, por exemplo, 65% das mutações são provenientes de fatores ambientais, sendo o cigarro o principal deles.

Segundo um dos líderes da pesquisa, Bert Vogelstein, a maior parte dos erros na duplicação do DNA não resultam em danos. Porém, eventualmente, algum defeito interfere no gene que controla a multiplicação celular, resultando no câncer.

Apesar do estudo apontar que a maioria dos casos de câncer são causados por erros provenientes de um processo natural do organismo, os pesquisadores reforçam a importância de campanhas e programas de conscientização, visando a esquiva de agentes ambientais e hábitos de consumo, que potencializam as chances de mutações resultantes em câncer.

Vogelstein ainda pontua que, a necessidade de novos métodos detectores de todos os tipos de câncer precocemente é urgente, uma vez que, em fases iniciais, as chances de cura são extremamente superiores.

 

http://science.sciencemag.org/

 

Mudando o paradigma da Cirurgia Renal – ligadura do hilo renal “em bloco” na nefrectomia

A primeira nefrectomia (retirada do rim) descrita em humanos foi em 1869, por Gustav Simon. A técnica usada até hoje é feita com a ligadura da artéria e da veia renal separadamente. Trabalho de revisão publicado recentemente (Win Shun Lai, janeiro 2017, J Urol), mostrou que é possível a ligadura dos vasos renais em um tempo, a chamada ligadura “em bloco”. É fácil entender que essa ideia facilita procedimento sobre maneira. Uma preocupação que há nessa manobra simplificada, seria a formação de uma fístula entre a artéria e a veia. Porém, nesse estudo de metanálise, dos 595 paciente acompanhados por uma média de 26,5 meses, não foi descrito um só caso desse tipo de complicação. É o começo de uma possível nova era nessa desafiadora cirurgia. Num momento em que praticamos a cirurgia vídeo-laparoscópica, o uso de grampeadores cirúrgicos podem diminuir o tempo cirúrgico significativamente.

Câncer de próstata pode recidivar tardiamente após a cirurgia

É sabido que o câncer da próstata pode recidivar muitos anos após a cirurgia curativa, a prostatectomia radical. Estudo de mais de 10 mil casos publicado em janeiro desde 2017, no Journal of Urology, por Lea Liesenfeld e cols., da Alemanha, mostrou que a taxa de recorrência foi de 34,3% após 10 anos, 44% após 15 anos e 52,7% após 20 anos depois da cirurgia. Fatores relacionados com um pior prognóstico foram a idade ao diagnóstico (quanto mais jovem o paciente, maior o risco); o valor do PSA ao diagnóstico (quanto maior o valor, maior o risco), o escore de Gleason (quanto maior o escore, maior o risco) e finalmente o estadiamento tumoral (quanto maior o estadiamento, maior o risco). É óbvio que esses pacientes necessitam então um acompanhamento longo e possivelmente um tratamento adjuvante à cirurgia realizada anteriormente.

Cirurgia dos linfonodos renais no câncer de rim

Há tempos se discute sobre a necessidade ou não de retirar os linfonodos relacionados com o rim, na cirurgia do câncer de rim.
Matéria publicada Boris Gershman e Cols no J Urol de março de 2017 relata um estudo sobre essa assunto. Foram estudados 305 pacientes com câncer renal metastático, nos quais a chamada cirurgia citoredutiva foi usada como parte do tratamento. Desses pacientes, 188 (62%) tiveram os linfonodos removidos no ato cirúrgico. O que ficou comprovado é que não houve benefício em realizar a cirurgia estendida para os linfonodos. No entanto, os pacientes que tiveram  comprovado o comprometimento desses linfonodos, tiveram  uma evolução menos favorável do que os demais pacientes. Esse trabalho pode evitar as complicações relacionadas ao tratamento  dos linfonodos e ainda abreviar o tempo cirúrgico.

Orquite causada por caxumba

Temos vivenciado um aumento nos casos de caxumba no nosso meio. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, o número de casos notificados no primeiro semestre de 2016 foi de 613 pessoas infectadas. Quase o mesmo número de casos registrados em todo o ano anterior, que somou 675 casos. Como o urologista é chamado a medicar os casos de orquite por caxumba, gostaria de esclarecer o leitor sobre esse assunto.

A caxumba é uma doença causada por um vírus chamado paramyxovirus, um RNA vírus, é contagiosa, que frequentemente resulta em um aumento doloroso das glândulas parótidas, febre, dor à mastigação. Outras glândulas além das parótidas, “em forma de cacho” também podem ser afetadas. Daí se deriva o nome caxumba.
Não há tratamento para a causa específica, mas desde a década de 90 há vacina específica para a caxumba . As crianças brasileiras recebem gratuitamente essa vacina, chamada MMR, em duas doses: a primeira aos doze meses e a segunda entre 4 e 6 anos. A MMR protege ainda contra o sarampo e a rubéola.
A orquite viral, inflamação do testículo, é raramente vista em meninos com menos de 10 anos. Porém, é a mais comum complicação da caxumba em homens após a puberdade, afetando 20% a 30% dos casos
Chega a acometer os dois testículos em 10% a 30% dos casos.A orquite aparece usualmente entre uma e duas semanas após a parotidite.
A inflamação testicular pode levar a uma atrofia desse órgão em 30% a 50% dos casos, porém raramente leva à infertilidade. Pode, no entanto, contribuir para a sub-fertilidade em até 13% dos pacientes. Nos casos mais graves e bilaterais, esse número pode chegar a até 87%, segundo Casella (J Urol, 1997).
O diagnóstico é geralmente clínico. Após o quadro de parotidite, o testículo torna-se rapidamente aumentado em volume, doloroso, endurado, e a pele do escroto pode ficar avermelhada e edemaciada. O tratamento da orquite é o que os médicos chamam de suportivo e sintomático: Repouso no leito com o escroto elevado, suspensório escrotal ou cueca justa, aliado à medicação anti-inflamatória. A maioria dos casos resolve-se em 3 a 10 dias.

Pedra no rim: formação, sintomas e tratamento

A avaliação metabólica completa é necessária logo no surgimento da pedra no rim?

 

Cálculo ou litíase renal, também conhecida como pedra no rim, é uma patologia causada pela cristalização de sais minerais presentes na urina. Estes cristais podem ser de cálcio (70% dos casos), cistina, estruvita e ácido úrico (7% dos casos).

A FORMAÇÃO

Para o surgimento da pedra no rim, a quantidade de água na urina deve ser insuficiente para dissolver os sais presentes. E isso pode se dar pelo excesso de sais a serem desfeitos ou pela baixa ingestão de água para fazer a diluição, sendo este último o fator mais comum nos casos da doença.

Além de não atingir a quantidade diária indicada de ingestão de água, o surgimento da pedra no rim pode estar ligado a outras causas, que também envolvem o excesso de sal. Como histórico familiar, reincidência em quem já apresentou alguma vez a doença, adultos acima de 40 anos (apesar de poder surgir em qualquer idade), obesidade, doenças digestivas, cirurgias que alterem o processo de digestão e absorção, e dietas ricas em proteínas ou açúcares.

Também, homens são mais propensos a desenvolver pedra no rim, assim como pessoas que vivem em regiões de calor intenso e altas temperaturas.

OS SINTOMAS

Cálculos que estão dentro do rim não costumam apresentar sintomas. O incômodo surge com a movimentação para saírem do órgão, obstruindo o ureter – canal por onde a urina passa, que liga a pelve do rim à bexiga. Além de crises extremamente doloridas, podemos associar aos sintomas de pedra no rim o aumento na vontade de urinar, mas expelindo pouca ou nenhuma urina. Além de náuseas, vômitos, ardência ao mictar e sangue no líquido.

O TRATAMENTO

Para o tratamento são levados em conta os sintomas, o tamanho da pedra no rim e em que região ela está localizada. Cálculos considerados pequenos, isto é, com aproximadamente 3 mm, podem ser expelidos pela urina sem muitas complicações. Diferente de pedras maiores, que exigem procedimentos mais invasivos como cirurgias, ondas de choque e inserção de um tubo na Uretra para a retirada (Ureteroscopia).

Muito se discute sobre uma avaliação metabólica completa logo no primeiro episódio de pedra no rim. A não adoção da prática, é defendida pela dificuldade de coletar urina neste período, deixando para este início uma investigação básica, com exames físicos e anamnese detalhada sobre todos os sintomas e alterações sentidas. Juntamente com uma investigação laboratorial e de imagens, objetivando identificar a presença ou não de infecções, além de avaliar as funções renais.

Após os períodos de crise, a avaliação metabólica completa é bastante importante para determinar o fator formador dos cálculos renais, para que então possam ser tomadas medidas visando a prevenção do surgimento de novos.

O mais adequado, independente de como tenha sido descoberta a presença de pedra no rim é procurar um urologista. Além disso, o cuidado com a alimentação, principalmente com a ingestão de sal, e o consumo indicado de água, é fundamental tanto para melhora no quadro, quanto para prevenção.