Tratamento do Câncer de Pênis

O câncer de pênis, apesar de ser raro no sul do Brasil existe, causa nos seus portadores grande morbidade, sendo doença letal quando se perde a chance da cirurgia curativa. A doença se caracteriza por uma úlcera, ou ferida peniana que não cicatriza após 4 a 6 semanas.A doença que evolui, pode sair do seu sítio primário e atingir os linfonodos da virilha, chamados íleo-inguinais. No dia de ontem pude revisar a literatura no que se refere ao tratamento desses linfonodos metastáticos. São as lesões chamadas popularmente de “ínguas”, que acometem a região da virilha. Como o tratamento curativo é cirúrgico, para o cirurgião esse é um desafio que, se efetivo, pode levar o paciente à cura dessa terrível doença.

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Pude ler um interessante trabalho divisor de águas, do médico americano Elwin Fraley publicado em 1972 (J Urol, volume 108, página 279). A idéia desse cirurgião foi diminuir a morbidade das complicações cirúrgicas usando duas incisões, deixando-se entre elas uma chamada “skin bridge”, área de pele intacta, conforme demonstro na figura. Apesar de haver métodos modernos, inclusive usando-se a laparoscopia, a incisão de Fraley é ainda uma excelente ferramenta cirúrgica nos dias atuais.

Sempre que houver uma ferida peniana que não cicatrize procure um médico para que seja realizada uma biópsia, assim esclarecendo a causa dessa alteração.

Câncer peniano, é fácil se prevenir

O câncer de pênis é pouco comum na população masculina aqui no sul do Brasil, porém é frequente em homens do norte e nordeste. A baixa frequência, no entanto, não exclui a atenção que lhe deve ser dada. A incidência dessa patologia, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), representou 2% de todos os cânceres registrados no Brasil, em 2010. O tratamento é bastante eficaz, mas as chances de aparecimento são aumentadas em pessoas que não tem acesso à chuveiros para o banho diário e por isso não cuidam da higiene de maneira correta.

O principal sinal da doença é uma ferida que não cicatriza após 2 a 3 meses! Sintomas podem ser identificados com a observação de alguma dessas outras alterações: nódulos na glande (cabeça do pênis), no prepúcio (pele que recobre a glande) ou no corpo do pênis; mudança de cor ou textura da pele, alteração da cor da pele da região, presença de placas vermelho-vivo ou verrugas. O esmegma, secreção branca resultante da descamação celular e tem cheiro forte, é um fator predisponente.

O diagnóstico é feito pelo exame da ferida  e confirmado por biópsia. Quanto mais cedo houver a confirmação da doença, mais rápido e fácil é o tratamento. A prevenção do câncer está bastante associada aos hábitos de higiene pessoal, deve-se lavar o pênis com água e sabão diariamente e depois de relações sexuais, assim como utilizar preservativos.

Há uma considerável redução da incidência em pessoas circuncidadas, chegando a 0% em países em que a religião predominante estimula a prática da circuncisão em crianças. Homens que já possuem algum vírus da família HPV estão mais sujeitos a desenvolverem esse câncer. Em áreas rurais, pode ser comum homens terem relações sexuais com animais (zoofilia) e essa prática possivelmente aumente as chances do surgimento do câncer peniano.

O tratamento irá depender da gravidade da situação, em diagnósticos precoces uma cirurgia de remoção de tecido canceroso ou ressecção a laser pode ser feita. Já em casos graves, pode ser necessária a amputação parcial ou total do pênis (penectomia). Devido à função sexual e reprodutiva, qualquer procedimento para tratar esse câncer é feito com a premissa de preservar a maior quantidade possível de tecido, com retirada de toda a lesão, deixando uma margem livre de pelo menos 5 a 20 mm. De uma maneira geral, desde que o caso não seja grave, a função sexual fica preservada após o tratamento.

O cuidado com a higiene pessoal, a atenção com a região peniana e a visita frequente a um urologista são os fatores necessários para uma vida saudável e livre desse mal.

Lembre-se, o médico urologista é um profissional que deve usar seu conhecimento para tratar e orientar os pacientes, e não ridicularizá-los. Por isso, não tema em consultá-lo ao perceber sinais estranhos.

Dia do Homem também é dia de prevenção

Todos os anos, no dia 15 de julho, é celebrado o Dia Nacional do Homem. A criação da data teve como objetivo a promoção da saúde e a busca por igualdade entre gêneros, reforçando a importância da prevenção de doenças por meio de exames e consultas periódicas com um médico.

Como o urologista é tido hoje como o médico do homem vemos a oportunidade de chamar a atenção não só dos homens, mas também das esposas, mães, filhas, irmãs desses que são os grandes provedores dos lares brasileiros, e que merecem ter sua saúde sempre em perfeita ordem.

Um estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) revelou que os índices relacionados ao acompanhamento médico de rotina ainda estão muito abaixo do ideal. De acordo com a pesquisa, realizada em seis capitais brasileiras com 5 mil homens, 44% dos entrevistados nunca passaram em consulta com um urologista e tampouco realizaram exames preventivos.

O recomendado é que os homens em geral, desde sua infância, tenham oportunidade de diagnosticar alterações como fimose, distopia testicular, e varicocele para falar das mais comuns. Lembrar que o câncer do testículo é o câncer mais comum do adulto jovem até os 40 anos de idade. O adulto jovem tem a fertilidade como fator de atenção, sendo que a metade dos casos de infertilidade pode ter o homem como responsável.

A sexualidade está fortemente presente desde adolescência até os últimos dias de vida da população masculina. O câncer da próstata, o mais comum do homem brasileiro, tem sido alardeado há mais de 30 anos. Para esse fim, frequentar o urologista a partir dos 45 anos de idade. Aqueles que possuem familiares diretos que sofrem ou já sofreram de câncer de próstata e os de raça negra devem começar as consultas por volta dos 40 anos de idade. E viva a saúde do homem.

Novo Tratamento para a Próstata

Em novembro de 2013 o Conselho Federal de Medicina aprovou o procedimento chamado “Embolização Seletiva das Artérias da Próstata” como opção terapêutica em pacientes portadores de Hiperplasia Prostática Benigna.
Esse tratamento não é novo, tendo sido descrito em 2000, pela primeira vez. A maior experiência publicada até hoje foi de 238 pacientes. Nesse estudo os parâmetros objetivos de Fluxometria  mostraram pouca melhora, e o número de pacientes seguidos por 3 anos foi de apenas 8. Novos estudos estão em andamento e novos resultados serão publicados até 2019.
Na nossa opinião, que se espelha no parecer de várias Sociedades Médicas do Brasil e Exterior, incluindo Sociedade Brasileira de Urologia, Associação Americana de Urologia, Associação Européia de Urologia esse tratamento não deve ser recomendado! Apesar de haver outros bons tratamentos cirúrgicos para essa doença, como coagulação à plasma e laser, o padrão ouro é o chamado Ressecção Trans-Uretral da próstata, a qual utiliza eletro-coagulação, é comprovadamente eficaz, e minimamente invasiva.

Novo medicamento pode inovar tratamento do câncer de próstata

Gostaria de citar esse artigo publicado em 2012, o qual fala do emprego dessa nova droga para o tratamento do câncer da próstata, a Abiraterona, que foi utilizada antes da cirurgia, com um resultado excelente, até mesmo a cura em alguns casos. Sem dúvida esse será um dos pilares do tratamento do câncer da próstata no futuro.
Manoel Guimarães.
Foto: Shutterstock/Pedalist

Morte Programada ao Câncer Metastático de Rim e da Próstata

Pesquisa canadense publicada em Abril desse ano por Tang PA e Heng DY revisam o mecanismo chamado PD-1, um co-inibidor do receptor das células T. Esse receptor,  quando bloqueado, pode aumentar a resposta imune anti-tumoral, com resultados muito positivos e encorajadores. Nos próximos anos veremos novas opções ao armamentário que cresce rapidamente no combate a essas duas graves doenças, quando metastáticas.

Manoel Guimarães.

Planos de saúde deverão oferecer prótese para incontinência urinária

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou que, a partir de janeiro de 2014, os planos de saúde brasileiros ofereçam um esfíncter urinário artificial aos pacientes com câncer de próstata que fizerem cirurgia de remoção total da glândula e ficarem com incontinência urinária mesmo após um ano da operação. Até então, os homens com essa sequela precisavam entrar na Justiça para adquirir o direito à prótese.

Esse aparelho substitui a função do esfíncter natural, um músculo em forma de anel que envolve a uretra e controla a liberação da urina. Como ele fica quase “grudado” na próstata, pode acabar enfraquecido após a cirurgia.

Foto: Shutterstock/Decade3d

Novembro azul

No mês de novembro é feito um movimento no sentido de chamar a atenção da população para a prevenção das doenças masculinas, o NOVEMBRO AZUL. A comunidade urológica está engajada em estimular a prevenção das doenças que afetam mais frequentemente os homens, desde o câncer da próstata até Hipertensão e Diabetes. Contem conosco para informações e esclarecimentos.

Foto: Shutterstock/wavebreakmedia

Nova vacina pode inovar tratamento de câncer de próstata

Uma vacina desenvolvida no Brasil e que obteve resultados bem-sucedidos em testes com humanos promete ser um tratamento mais eficaz e barato que o lançado nos Estados Unidos em 2010 e até agora considerado referência para tratar o câncer de próstata. O produto estimula o sistema imunológico a identificar e destruir as células cancerígenas. A previsão do laboratório é lançar a vacina em, no máximo, três anos.

Vamos esperar para saber quais serão os resultados deste novo tratamento.

Foto: Pogonici

A importância do diagnóstico precoce

O câncer de próstata diagnosticado no início pode ter 90% de chance de cura. Porém, uma pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) revelou que 44% dos homens entrevistados nunca foram a uma consulta com um urologista nem fazem exames preventivos, diferentemente dos homens americanos que tem assiduidade muito superior à brasileira. A pesquisa ainda mostrou que 47% dos homens ouvidos nunca fizeram exames para detectar o câncer de próstata, que é o câncer mais comum nos homens, excetuando os tumores de pele.

 

Foto: Alejandro Dans Neergaard/Shutterstock