Feridas e manchas: cuidado com a sífilis

Sou médico há trinta anos e confesso que tenho visto mais casos de sífilis recentemente, fato comprovado pelos meus colegas infectologistas. Uma publicação recente detectou prevalência de 1,02% em mulheres grávidas brasileiras (Domingues RM, Rev Saúde Pública, Out 2014).

Essa antiga doença, conhecida como a grande imitadora, se manifesta de formas variadas, mais comumente por feridas na genitália e na região perianal, ou mesmo na boca (sífilis primária) ou por manchas avermelhadas pelo corpo, incluindo palmas e plantas dos pés (sífilis secundária). O período de incubação após o contágio é de 10 a 90 dias. Normalmente a úlcera aparece na terceira semana e persiste por quatro a seis semanas. Curiosamente as úlceras que são normalmente pouco dolorosas, duras e únicas tendem a desaparecer espontaneamente após algumas semanas. É por isso que a sífilis pode evoluir para uma grave doença sistêmica, afetando inclusive o sistema nervoso de forma irreversível.

A liberdade sexual, o HIV, a comunicação mais fácil e rápida, os aglomerados sociais e a crença do jovem de que não há um perigo realmente mortal no relacionamento sem proteção provavelmente são fatores importantes na transmissão da também conhecida como doença de Lues.

Para complicar um pouco o quadro estamos vivenciando em nosso meio uma falta da medicação usada como primeira escolha no tratamento, a penicilina Benzatina.

A principal recomendação é a prevenção, evitando-se o contacto sexual com pessoas suspeitas e desprotegido! O uso de preservativos sabidamente protegem contra essa e outras várias doenças sexualmente transmissíveis

Campanha contra câncer de pênis

Em audiência pública no mês passado no Senado, a Sociedade Brasileira de Urologia sugeriu aos senadores e ao governo federal a realização de uma campanha nacional Câncer de Pênis Zero. Dados do Data/SUS mostram que são feitas mil amputações de pênis por ano em média no país, por causa deste tipo terrível de câncer, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. A principal causa da doença é a falta de higiene constante e adequada. Assim sendo, qualquer ferida que não cicatrize em mais de seis semanas deve ser avaliada por um especialista para possível biopsia.