A importância de visitas ao urologista

Culturalmente, existe a ideia de que meninos, rapazes e homens só precisam visitar um urologista quando são bebês e há alguma complicação na formação do aparelho reprodutor ou quando existe alguma doença ou lesão no pênis e bolsa escrotal.

Essa é uma ideia errônea e, inclusive, existe a peniscopia. Um exame preventivo, equivalente ao papanicolau nas mulheres. O indicado é que os pais levem a criança para o urologista pelo menos uma vez na infância, outra na entrada da puberdade e, se não houver o constrangimento, após a primeira relação sexual. Mas claro, nada impede que o jovem tome inciativa para agendar sua própria consulta.

Essas três fases são importantes porque, na primeira, podem ser sanados problemas de formação sem prejudicar a vida pessoal da criança; já a segunda, é uma fase em que o adolescente está com muitas dúvidas quanto a saúde de seu órgão ou sobre sexualidade (mesmo que seja pouco provável a consumação de um ato sexual); já a terceira fase é um período bem importante, já que além dos riscos de doenças sexualmente transmissíveis, há o risco de desenvolvimento de varicocele – doença que possui chances de causar esterelidade – ou até mesmo o de algum câncer na região.

Já o exame preventivo para detecção de câncer de próstata deve ser feito regularmente, pelo menos uma vez ao ano, em homens acima dos 50 anos ou 45 em casos de histórico de câncer na família ou ser negro. É muito importante fazer o exame preventivo, porque esse é um tipo de doença que se desenvolve lentamente e só é percebida em casos avançados, quando a cura torna-se bem mais complicada.

Incontinência urinária, acabe com esse desconforto

A incontinência urinária é um problema comum e bastante constrangedor. Ela afeta o dobro de mulheres do que os homens mas, mesmo assim, de 1 a 3 a cada 10 homens acima de 55 anos possuem essa condição.

O grande impacto na vida de um indivíduo com incontinência urinária é o social, já que o constrangimento e desconforto faz com que a pessoa se retraia e pode até desencadear algum tipo de depressão pela falta de convívio social. O importante é não ter vergonha de consultar um médico urologista, geriatra ou ginecologista (para as mulheres) e tratar dessa condição.

Existem vários tipos de incontinência urinária, a seguir serão mostradas juntamente com seus sintomas e possíveis causas:

  • Incontinência urinária de esforço: ela acontece quando não há força muscular suficiente para conter a urina. Isso significa que ao espirrar, rir, levantar algo, fazer esforço ou fazer qualquer ação que pressione a bexiga, ocorre uma micção pequena ou moderada. Geralmente acontece por alguma lesão que causou o enfraquecimento da região
  • Incontinência urinária de urgência: esse tipo é caracterizado por uma vontade súbita e tão forte de urinar que não é possível chegar até um banheiro antes do vazamento. A quantidade de urina pode ser pequena, mas o normal é que seja moderada ou grave. A causa mais comum é a síndrome da bexiga hiperativa.
  • Incontinência urinária por transbordamento: ela ocorre por uma deficiência do corpo em esvaziar a bexiga que, por estar sempre cheia, frequentemente libera pequenas quantidades de urina, principalmente durante a noite, além da pessoa sempre sentir que precisa urinar e que a bexiga está cheia.
  • Incontinência urinária funcional: esse caso é identificado quando o paciente sabe que precisa urinar mas não pode devido a alguma complicação devido a outras doenças ou situações.
  • Incontinência urinária mista: é a ocorrência de mais de uma dessas situações descritas.

 

Cada tipo de incontinência tem um tratamento e causas diferentes mas, no geral, existem fatores que estimulam a incontinência. A ingestão de diuréticos, como cafeína, álcool ou medicações específicas; a prisão de ventre e a infecção do trato urinário também podem causar a incontinência; e existem condições que aumentam as chances do desencadeamento da doença, como gravidez, parto e menopausa – para as mulheres – o envelhecimento, a obesidade, o câncer de próstata, a obstrução do trato urinário e distúrbios neurológicos também podem causá-la.

O tratamento é feito, inicialmente, com técnicas pouca invasivas e que lidam mais com os hábitos diários e alimentares do paciente. Caso não seja eficaz, podem ser feitos exercícios de Kegel, estimulações elétricas, utilização de dispositivos médicos ou cirurgia.

Para cada caso há uma indicação específica, por isso é importante buscar a ajuda de um urologista ou geriatra para tratar a incontinência. Lembre-se, o médico é um profissional juramentado para tratar sua saúde e que não deve tirar sarro ou envergonhá-lo.

Nova lei garantirá o exame de detecção precoce do câncer de próstata

No último dia 26, em Diário Oficial da União, foi publicada a Lei 13.045. Ela garante a detecção precoce do câncer de próstata pelo SUS.

Isso significa que quando houver a suspeita ou um quadro promissor ao desenvolvimento da doença, um médico do SUS deverá encaminhar o procedimento clínico para o bem da saúde do paciente.

Segundo o Inca, esse é o sexto câncer mais recorrente do mundo (é tamanha a frequência dele que, mesmo afetando apenas homens, ainda é um dos líderes em incidência) e com a representação de 10% dos canceres em homens ou seja, o mais prevalente de todos os tipos. Ainda segundo o Instituto Nacional de Câncer, só nesse final de ano, estima-se que cerca de 68 mil casos de câncer de próstata serão registrados.

Mesmo que a doença seja mais recorrente em idosos, o exame preventivo deve ser feito pelo menos uma vez ao ano após os 40 anos de idade. Outra dica é a ingestão de licopeno, presente em grandes quantidades em tomates cozidos (o cozimento facilita a absorção da substância).

Fique atento a qualquer mudança em sua região genital ou no funcionamento do seu corpo e consulte o mais rápido possível um médico para diagnosticá-lo cedo e aumentar suas chances de cura, independente da doença apresentada.

Causas da impotência sexual

A disfunção erétil ou impotência sexual é caracterizada pela dificuldade recorrente de conseguir ou de manter uma ereção satisfatória. Isso não significa que uma ou outra “falhada” caracterize a doença, mas sim quando ela acontece várias vezes.

Para tratá-la é importante conhecer suas causas, um médico urologista é o profissional mais indicado para esse primeiro diagnóstico, visto que possui maior experiência em relação ao sistema reprodutor masculino e então pode indicar o tratamento mais adequado, dependendo do quadro clínico do paciente.

De maneira geral, as causas da impotência sexual são separadas em duas grandes categorias, as psicológicas e as orgânicas, mas um paciente pode apresentar uma mistura dos dois fatores. A disfunção erétil psicológica normalmente é causada pelo estresse crônico, ansiedade ou depressão, ainda pode ser causada por algum trauma psicológico, fatores religiosos, emocionais e é a causa mais frequente no paciente jovem. Nesse pacientes as ereções noturnas, relacionadas ao sono REM, estão presentes e podem ser notadas eventualmente quando o paciente acorda.

Já nos fatores orgânicos, a grande maioria dos casos, a impotência está relacionada a várias outras doenças e hábitos que, de maneira geral, atrapalham a circulação sanguínea, são elas: diabetes, alterações hormonais, doenças cardiovasculares, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, cigarros, medicamentos e até algumas drogas ilícitas.

Muitos homens que sofrem da doença, a atribuem como característica normal do envelhecimento, mas além da piora de qualidade de vida e do impedimento de relações sexuais, há casos em que a impotência sexual, na verdade, é um sintoma de doença vascular, incluindo das coronárias, podendo evoluir para infarto ou isquemia cardíaca. Por isso é de extrema importância consultar um especialista ao apresentar sinais da disfunção erétil, ele poderá indicar o melhor tratamento para cada paciente.

O tramamento se baseia em orientação psicológica quando a alteração é psicogênica, e nos casos orgânicos são usados os inibidores da enzima fosfodiesterase 5 (sildenafil, tadalafil, vardenafil entre outros) e ainda as injeções intra-cavernosas e as próteses penianas.

 

Feridas e manchas: cuidado com a sífilis

Sou médico há trinta anos e confesso que tenho visto mais casos de sífilis recentemente, fato comprovado pelos meus colegas infectologistas. Uma publicação recente detectou prevalência de 1,02% em mulheres grávidas brasileiras (Domingues RM, Rev Saúde Pública, Out 2014).

Essa antiga doença, conhecida como a grande imitadora, se manifesta de formas variadas, mais comumente por feridas na genitália e na região perianal, ou mesmo na boca (sífilis primária) ou por manchas avermelhadas pelo corpo, incluindo palmas e plantas dos pés (sífilis secundária). O período de incubação após o contágio é de 10 a 90 dias. Normalmente a úlcera aparece na terceira semana e persiste por quatro a seis semanas. Curiosamente as úlceras que são normalmente pouco dolorosas, duras e únicas tendem a desaparecer espontaneamente após algumas semanas. É por isso que a sífilis pode evoluir para uma grave doença sistêmica, afetando inclusive o sistema nervoso de forma irreversível.

A liberdade sexual, o HIV, a comunicação mais fácil e rápida, os aglomerados sociais e a crença do jovem de que não há um perigo realmente mortal no relacionamento sem proteção provavelmente são fatores importantes na transmissão da também conhecida como doença de Lues.

Para complicar um pouco o quadro estamos vivenciando em nosso meio uma falta da medicação usada como primeira escolha no tratamento, a penicilina Benzatina.

A principal recomendação é a prevenção, evitando-se o contacto sexual com pessoas suspeitas e desprotegido! O uso de preservativos sabidamente protegem contra essa e outras várias doenças sexualmente transmissíveis

Câncer de testículo, altas chances de cura com um diagnóstico precoce

O câncer de testículo afeta, na maioria das vezes, homens entre 15 e 50 anos – sendo o tumor sólido mais comum dos homens até os 45 anos de idade. Pode ser facilmente detectado e possui um baixo nível de mortalidade. As causas desse mal não são plenamente conhecidas, porém ela é mais recorrente em homens brancos. A criptorquidia (a permanência do testículo fora da bolsa escrotal após o nascimento, é quando o testículo “não desce”) é outro fator predisponente. O trauma escrotal pode ainda estar relacionado, e é comum a descoberta após um trauma, já que esse chama a atenção para possíveis alterações no testículo.

O sintoma mais perceptível e comum é a presença de um nódulo indolor na região, porém outros sinais também são aparentes, como o aumento ou de volume escrotal, dor ou crescimento nos mamilos e, em estados mais avançados, massas ou dores abdominais e tosse.

Previna-se: faça o autoexame mensalmente, basta tocar os testículos, um de cada vez, com os dedos indicador, médio e polegar. Alguns homens acham que a hora do banho é apropriada para essa manobra. Conheça bem seu próprio corpo. A presença de algo estranho, um endurecimento no interior do escroto, sentir um nódulo duro, pétreo, “lenhoso”, aumento de volume, mudança da forma ou asensação de peso no escroto seriam sinais de alerta. Procure seu urologista de confiança para tirar qualquer dúvida.

Se houver a suspeita de câncer de testículo, uma ultrassonografia escrotal poderá identificar a situação do câncer. Também podem ser feitos exames de sangue (Alfafetoproteína, Beta-HCG, LDH) que servem para diagnosticar e ainda estadiar a doença.

O tratamento pode ser feito cirurgicamente, com a retirada do testículo doente. É comum, hoje, a colocação de uma prótese para se preservar a imagem corporal. Em quadros avançados da doença, é necessária a quimioterapia, acompanhada ou não de radioterapia. Em qualquer caso, desde que se mantenha um dos testículos saudáveis, as funções reprodutivas e sexuais não são comumente afetadas.

No tratamento de tumores metastáticos pode sim, ocorrer a infertilidade. Por isso um urologista deve ser consultado para que possa coletar esperma se, posteriormente, o paciente desejar ter filhos.

O autoexame é a melhor arma contra esse mal, ele é de fácil identificação e tratamento, porém deve ser tratado o quanto antes possível para que não ocorram danos permanentes ou até mesmo a morte.

Varicocele no adolescente: Operar ou não operar?

A varicocele atinge 15% da população masculina e é a principal causa detectável de infertilidade masculina.

Como no adolescente a análise seminal pode não ser um dado confiável resta usar o volume testicular, dosagens hormonais e a presença ou não de dor como parâmetros para indicar a cirurgia.Porém, a controvérsia entre operar ou não operar persiste há décadas.

Artigo de ponto e contraponto publicado no J Urol Set 2014 traz o depoimento de dois experts americanos defendendo posições opostas e embasados em farta literatura(Kolon TF X Glassberg KI e Batavia JP). Na nossa formação, fomos treinados a postergar o procedimento, indicando a cirurgia apenas no início da vida adulta, após dois ou mais espermogramas mostrando número e função deprimida dos espermatozoides.

Resta aguardar o futuro para então termos uma recomendação mais científica.