Tratamento e controle para o HPV

Afinal, existe tratamento para a verruga do HPV (também conhecido como o Vírus do Papiloma Humano)?

A resposta é: não há um tratamento curativo para o condiloma acuminado, a verruga causada pelo HPV (o vírus do papiloma humano). A erradicação ou redução dos sintomas é o objetivo primário do tratamento das verrugas ano-genitais, mas a eliminação das lesões displásicas é o objetivo do tratamento das lesões escamosas intra-epiteliais.

O tratamento é proposta aos pacientes com verrugas visíveis. A ideia é eliminar ou controlar a maior parte das verrugas visíveis até que o sistema imune do hospedeira controle a replicação viral.

O tratamento não é indicado para lesões anogenitais subclínicas da mucosa, na ausência de displasia co-existente.

Tratamento de verrugas do HPV

Não há um tratamento que se mostre superior a outro no tratamento das verrugas. A escolha do tratamento depende do tamanho das lesões, a morfologia, o número, o sítio anatômico, o custo envolvido e a disponibilidade do método, excisão cirúrgica, eletrocauterização, crioterapia, ablação química.

A maioria dos pacientes requer múltiplas seções. Se o método utilizado não for efetivo após 3 tentativas,ou se não houver cura após 6 tratamentos consecutivos, o médico deve pensar em alterar a forma de tratamento.

Pacientes imunodeprimidos, ou portadores do vírus HIV podem requerer um tratamento mais agressivo, por vezes multimodal. Como a recorrência é alta, os resultados podem ser frustrantes para médicos e pacientes.

Subgrupos de pacientes

  • Gestantes: As taxas de infecção por HPV são maiores nas gestantes. INterferon, 5-Fluouracil e Podofilina não devem ser usados em gestantes. Há risco de transmissão do vírus à mucosa orofaríngea do neonato.
  • Pacientes com risco aumentado para câncer: Os portadores de verrugas ano-genitais têm risco aumentado para câncer anogenital. o HPV é a principal causa para o câncer do colo uterino (90% do total).
  • Pacientes com verrugas perianais e HIV e aqueles com história de atividade sexual anal receptiva têm risco aumentado para lesão escamosa intra-epitelial (displasia moderada a severa, e carcinoma in-situ). Cânceres de pênis, vulva, vagina, anal e cabeça e pescoço têm ligação com a infecção pelo HPV.
  • Crianças: Verrugas genitais são raras em crianças. Pode ter ocorrido inoculação incidental durante o nascimento. Porém, nesses casos, o profissional de saúde deve suspeitar de abuso sexual.
  • Prevenção: Evitar sexo desprotegido, o uso de preservativos e a postectomia prévia nos parceiros masculinos são fatores protetivos
  • Vacina: No nosso meio não está ainda disponível a vacina 9vHPV.  Pacientes doe 9 a 14 anos devem receber duas doses e pacientes de 15 a 45 anos deve receber três doses da vacina.

O Dr. Manoel Guimarães (CRM/PR 9849 | RQE 3304) é mestre e doutor em Urologia. Tem mais de 30 anos de experiência na área, foi professor de Urologia por 20 anos e é atualmente médico urologista do Hospital de Clínicas da UFPR. Atua na área de oncologia, próstata, cálculos, impotência, ejaculação rápida, vasectomia, bem como toda a área da Urologia.

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HPV nos homens e curiosidades

HPV: a doença cresce em todo mundo

Segundo o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia das Doenças do Papilomavírus Humano, ao redor do planeta, há em torno de 600 milhões de pessoas infectadas com HPV. A pesquisa revela que entre 75% e 80% da população adquirem um ou mais tipos da doença em algum momento da vida. A Organização Mundial da Saúde revela que as DSTs estão entre as dez principais causas de procura por serviços de saúde no mundo.

Devido ao crescimento da contaminação, as doenças sexualmente transmissíveis causam impacto individual e de saúde pública. No caso dos homens, na maioria das vezes, a doença se manifesta silenciosamente, transformando o portador em um transmissor do vírus aos parceiros através do contato íntimo. Em alguns casos, a doença se manifesta através do aparecimento de verrugas genitais.

Estudos revelam que 65% das infecções regridem espontaneamente, no qual 14% possuem um alto índice de recorrência e 45% dos pacientes tratados podem manter o vírus latente, ou seja, serem portadores.

O HPV é um vírus que se instala na pele ou em mucosas e afeta tanto homens quanto mulheres. A infecção acontece, na maioria das vezes, através da relação sexual não protegida, provocando diversas doenças, como as verrugas genitais, os cânceres de colo do útero, vagina, e nos homens, está associado ao desenvolvimento de câncer de ânus, pênis, língua, boca e garganta.

Utilizar preservativo nos atos sexuais diminui o risco de transmissão de doenças sexualmente transmissíveis, mas não evita o contagio, que pode ser feito pelo contato pele com pele, pele com mucosas (revestimento úmido e interno de cavidades, por exemplo, vagina e canal anal) e entre mucosas. Não se pode descartar a possibilidade de contaminação por meio de roupas e objetos, apesar de menos provável.

A vacinação é defendida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a principal forma de prevenção contra o HPV, já que o uso da camisinha ajuda, mas não garante proteção total contra o contágio. A vacinação protege contra o surgimento de verrugas genitais e câncer anal, devendo ser tomada por indivíduos que não estão infectados com o vírus HPV, com menos de 26 anos. A vacinação é especialmente indicada para homens que mantém relações sexuais com outros homens e em pacientes com HIV Positivo, mas todos os homens podem tomar esta vacina.

Existem diversos tratamentos que têm por objetivo reduzir ou eliminar as lesões causadas pela infecção, como as verrugas genitais e as alterações pré-cancerígenas no colo do útero. A forma de tratamento depende de fatores como a idade do paciente, o tipo, a extensão e a localização das lesões.

O ideal é procurar um médico com o aparecimento de lesões para que haja um acompanhamento profissional em busca de um diagnóstico especifico, assim evitando consequências mais grave durante o tratamento da doença.

Curiosidades

  1. O HPV pode demorar 20 anos para causar uma doença relacionada. Habitualmente, o HPV leva de dois a oito meses após o contágio para se manifestar, mas podem se passar diversos anos antes do diagnóstico de uma lesão pré-maligna ou maligna. Devido a essa dificuldade de diagnóstico, torna-se impossível determinar com exatidão em que época e de que maneira o indivíduo foi infectado.

 

  1. As verrugas genitais são muito comuns. Estima-se que aproximadamente 10% das pessoas (homens e mulheres) terão verrugas genitais ao longo de suas vidas. As verrugas genitais podem aparecer semanas ou meses após o contato sexual com uma pessoa infectada pelo HPV.

 

  1. As verrugas genitais podem desaparecer naturalmente, sem nenhum tipo de tratamento. Não há como saber se as verrugas genitais desaparecerão ou crescerão. Dependendo de seu tamanho e localização, existem várias opções de tratamento. O médico pode escolher a aplicação de um creme ou solução especial nas verrugas ou ainda remover algumas delas por congelamento, cauterização ou a laser. Se as verrugas genitais não responderem a esses tratamentos, o médico pode utilizar a cirurgia para removê-las. Em 25% dos casos, as verrugas são reincidentes, reaparecendo mesmo após o tratamento.

 

Referência:

Guia do HPV

– Portal Tua Saúde – HPV no homem – Como identificar e Tratar

Dia do Homem também é dia de prevenção

Todos os anos, no dia 15 de julho, é celebrado o Dia Nacional do Homem. A criação da data teve como objetivo a promoção da saúde e a busca por igualdade entre gêneros, reforçando a importância da prevenção de doenças por meio de exames e consultas periódicas com um médico.

Como o urologista é tido hoje como o médico do homem vemos a oportunidade de chamar a atenção não só dos homens, mas também das esposas, mães, filhas, irmãs desses que são os grandes provedores dos lares brasileiros, e que merecem ter sua saúde sempre em perfeita ordem.

Um estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) revelou que os índices relacionados ao acompanhamento médico de rotina ainda estão muito abaixo do ideal. De acordo com a pesquisa, realizada em seis capitais brasileiras com 5 mil homens, 44% dos entrevistados nunca passaram em consulta com um urologista e tampouco realizaram exames preventivos.

O recomendado é que os homens em geral, desde sua infância, tenham oportunidade de diagnosticar alterações como fimose, distopia testicular, e varicocele para falar das mais comuns. Lembrar que o câncer do testículo é o câncer mais comum do adulto jovem até os 40 anos de idade. O adulto jovem tem a fertilidade como fator de atenção, sendo que a metade dos casos de infertilidade pode ter o homem como responsável.

A sexualidade está fortemente presente desde adolescência até os últimos dias de vida da população masculina. O câncer da próstata, o mais comum do homem brasileiro, tem sido alardeado há mais de 30 anos. Para esse fim, frequentar o urologista a partir dos 45 anos de idade. Aqueles que possuem familiares diretos que sofrem ou já sofreram de câncer de próstata e os de raça negra devem começar as consultas por volta dos 40 anos de idade. E viva a saúde do homem.

HPV está associado ao câncer de pênis em 47% dos casos

Revisando um artigo recente, publicado em novembro de 2012, o Penile Carcinoma: Lessons Learned from Vulvar Carcinoma, da autora Michelle J. Longpree, constatei uma referência atual sobre o HPV, vírus do papiloma humano, ou verruga venérea. Este afirma que o HPV está associado ao câncer de pênis em 47% dos casos.

Confira o trecho  original da referência utilizada por Longpree: A systematic review of 31 studies including 1,466 men showed that HPV is associated with penile carcinoma in 47% of patients.7 Similar studies have found 60% of vulvar carcinoma to be associated with HPV. : Monk BJ , Burger RA , Lin F , et al.  Prognostic significance of human papillomavirus DNA in vulvar carcinoma . Obstet Gynecol. 1995;85:709