Existe relação entre a vasectomia e a impotência sexual?

Estima-se que mais de 30 milhões de vasectomia já foram realizadas em todo mundo e só no Brasil, este o número pode chegar a 500 mil operados. Apesar de existir um número alto de procedimentos cirúrgicos, algumas questões se tornaram peças-chave na discussão sobre a realização da cirurgia que interrompe a circulação de espermatozoides no sistema reprodutor masculino.

A maioria dos homens chegam aos consultórios com algum desconforto sobre tema, principalmente ligado aos efeitos colaterais. Ou pela falta de informação ou até mesmo por medo. As principais dúvidas são relacionadas a vasectomia e a impotência sexual masculina. Vale a pena ressaltar que o nervo relacionado a ereção não se localiza na mesma área a ser operada e por isso não há risco de lesão.

O fato concreto é que organicamente não existe nenhum prejuízo, nem mesmo vantagem na cirurgia, em relação a potência ou performance sexual. Uma possível vantagem psicológica, no entanto, pode ocorrer depois dos três meses da cirurgia, tempo necessário, em média, para que o controle da cirurgia se mostre efetivo, confirmada a segurança da contracepção. Como não há mais a preocupação com uma possível gestação indesejada, o homem fica mais confortável psicologicamente e pode então ter um melhor desempenho sexual. Além disso, pode haver uma melhora na libido do vasectomizado, devido a essa despreocupação.

 

Referências:

– Entrevista: Vasectomia – Sami Arap – Portal Drauzio Varella

– A vasectomia causa impotência? – Portal Médico Responde

– Portal do Urologia

Câncer de testículo, altas chances de cura com um diagnóstico precoce

O câncer de testículo afeta, na maioria das vezes, homens entre 15 e 50 anos – sendo o tumor sólido mais comum dos homens até os 45 anos de idade. Pode ser facilmente detectado e possui um baixo nível de mortalidade. As causas desse mal não são plenamente conhecidas, porém ela é mais recorrente em homens brancos. A criptorquidia (a permanência do testículo fora da bolsa escrotal após o nascimento, é quando o testículo “não desce”) é outro fator predisponente. O trauma escrotal pode ainda estar relacionado, e é comum a descoberta após um trauma, já que esse chama a atenção para possíveis alterações no testículo.

O sintoma mais perceptível e comum é a presença de um nódulo indolor na região, porém outros sinais também são aparentes, como o aumento ou de volume escrotal, dor ou crescimento nos mamilos e, em estados mais avançados, massas ou dores abdominais e tosse.

Previna-se: faça o autoexame mensalmente, basta tocar os testículos, um de cada vez, com os dedos indicador, médio e polegar. Alguns homens acham que a hora do banho é apropriada para essa manobra. Conheça bem seu próprio corpo. A presença de algo estranho, um endurecimento no interior do escroto, sentir um nódulo duro, pétreo, “lenhoso”, aumento de volume, mudança da forma ou asensação de peso no escroto seriam sinais de alerta. Procure seu urologista de confiança para tirar qualquer dúvida.

Se houver a suspeita de câncer de testículo, uma ultrassonografia escrotal poderá identificar a situação do câncer. Também podem ser feitos exames de sangue (Alfafetoproteína, Beta-HCG, LDH) que servem para diagnosticar e ainda estadiar a doença.

O tratamento pode ser feito cirurgicamente, com a retirada do testículo doente. É comum, hoje, a colocação de uma prótese para se preservar a imagem corporal. Em quadros avançados da doença, é necessária a quimioterapia, acompanhada ou não de radioterapia. Em qualquer caso, desde que se mantenha um dos testículos saudáveis, as funções reprodutivas e sexuais não são comumente afetadas.

No tratamento de tumores metastáticos pode sim, ocorrer a infertilidade. Por isso um urologista deve ser consultado para que possa coletar esperma se, posteriormente, o paciente desejar ter filhos.

O autoexame é a melhor arma contra esse mal, ele é de fácil identificação e tratamento, porém deve ser tratado o quanto antes possível para que não ocorram danos permanentes ou até mesmo a morte.

Fumante? Cuidado com o câncer de bexiga

Também conhecido como carcinoma urotelial, o câncer de bexiga surge, em 90% dos casos, no revestimento interno da bexiga (órgão onde fica armazenada a urina). Não se sabe ao certo quais são as causas desse mal, porém se tem evidências de que em cerca de metade dos casos em pessoas do sexo masculino há um histórico de vício em tabagismo; outro grupo de risco são aqueles que trabalham, ou entram em contato direto, com materiais que são cancerígenos, como corantes, borracha, couro, alumínio e pesticidas.

Os sintomas mais comuns podem ser apresentados em outras doenças do trato urinário, por isso sempre consulte um urologista para a avaliação da sua saúde. A mais recorrente em cerca de 80% dos casos, é a presença de sangue visível a olho nu na urina; além disso, também podem ocorrer dores abdominais, dor ou sensibilidade nos ossos, fadiga, dor ao urinar, aumento de frequência de urinar, assim como a urgência em urinar, perda de peso e incontinência urinária.

O diagnóstico é feito por exames que podem incluir a cistoscopia (exame da parte interior da bexiga com uma câmera); a biópsia, que geralmente é feita com a cistoscopia; tomografias; ou análise de urina. Caso exista a confirmação, serão feitos mais exames para determinar em que estágio de progressão o câncer está, ele varia de 0 a 4, e assim determinar o melhor tratamento para cada caso.

Nos estágios 0 e 1, é indicada a remoção do tumor sem remover a bexiga e a quimioterapia aplicada diretamente na região afetada. Nos 2 e 3, há a remoção total ou parcial do órgão, acompanhado de quimioterapia. Já no último estágio, as chances de sobrevivência do paciente são extremamente reduzidas e uma cirurgia é um processo muito agressivo a eles, por isso a indicação é usar apenas a quimioterapia.

De maneira geral, o câncer de bexiga tem um prognóstico melhor a medida que seja detectado mais precocemente.  Apesar de nos primeiros estágios a chance de reincidência seja alta, o tratamento tem uma boa resposta. Para se prevenir, afaste-se de cigarros ou ambientes muito esfumaçados e da exposição a produtos químicos cancerígenos.

Câncer peniano, é fácil se prevenir

O câncer de pênis é pouco comum na população masculina aqui no sul do Brasil, porém é frequente em homens do norte e nordeste. A baixa frequência, no entanto, não exclui a atenção que lhe deve ser dada. A incidência dessa patologia, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), representou 2% de todos os cânceres registrados no Brasil, em 2010. O tratamento é bastante eficaz, mas as chances de aparecimento são aumentadas em pessoas que não tem acesso à chuveiros para o banho diário e por isso não cuidam da higiene de maneira correta.

O principal sinal da doença é uma ferida que não cicatriza após 2 a 3 meses! Sintomas podem ser identificados com a observação de alguma dessas outras alterações: nódulos na glande (cabeça do pênis), no prepúcio (pele que recobre a glande) ou no corpo do pênis; mudança de cor ou textura da pele, alteração da cor da pele da região, presença de placas vermelho-vivo ou verrugas. O esmegma, secreção branca resultante da descamação celular e tem cheiro forte, é um fator predisponente.

O diagnóstico é feito pelo exame da ferida  e confirmado por biópsia. Quanto mais cedo houver a confirmação da doença, mais rápido e fácil é o tratamento. A prevenção do câncer está bastante associada aos hábitos de higiene pessoal, deve-se lavar o pênis com água e sabão diariamente e depois de relações sexuais, assim como utilizar preservativos.

Há uma considerável redução da incidência em pessoas circuncidadas, chegando a 0% em países em que a religião predominante estimula a prática da circuncisão em crianças. Homens que já possuem algum vírus da família HPV estão mais sujeitos a desenvolverem esse câncer. Em áreas rurais, pode ser comum homens terem relações sexuais com animais (zoofilia) e essa prática possivelmente aumente as chances do surgimento do câncer peniano.

O tratamento irá depender da gravidade da situação, em diagnósticos precoces uma cirurgia de remoção de tecido canceroso ou ressecção a laser pode ser feita. Já em casos graves, pode ser necessária a amputação parcial ou total do pênis (penectomia). Devido à função sexual e reprodutiva, qualquer procedimento para tratar esse câncer é feito com a premissa de preservar a maior quantidade possível de tecido, com retirada de toda a lesão, deixando uma margem livre de pelo menos 5 a 20 mm. De uma maneira geral, desde que o caso não seja grave, a função sexual fica preservada após o tratamento.

O cuidado com a higiene pessoal, a atenção com a região peniana e a visita frequente a um urologista são os fatores necessários para uma vida saudável e livre desse mal.

Lembre-se, o médico urologista é um profissional que deve usar seu conhecimento para tratar e orientar os pacientes, e não ridicularizá-los. Por isso, não tema em consultá-lo ao perceber sinais estranhos.

Trombose Venosa e Embolia Pulmonar na Cirurgia Urológica

A trombose venosa profunda, que pode ser seguida de embolia pulmonar é uma das mais temíveis complicações nas cirurgias urológicas de grande porte.  Trabalho publicado nesse mês de setembro de 2014, no Journal of Urology, por M. Tyson e cols, é um dos mais importantes sobre a matéria.

Foram estudados mais de 82 mil pacientes, com a ocorrência de 633 (0,72%) casos de trombose, no período de 30 dias que se seguiram à cirurgia.Os procedimentos de maior risco foram a cistectomia com derivação urinária (4% de trombose e 3% de embolia pulmonar) e em segundo lugar vieram as nefrostomias percutâneas em pacientes com câncer, nefrectomia para câncer de rim e prostatectomia radical. Condições de risco associadas à trombose foram status funcional reduzido, câncer disseminado e insuficiência cardíaca, e ainda idade avançada, tempo cirúrgico maior do que 2 horas, diabetes e tabagismo, sexo masculino e obesidade.

O importante nessa temida e grave complicação é a prevenção: Uso de meias pneumáticas, uso de anticoagulantes e a mobilização precoce do paciente, se possível fora do leito.

Incidência aumentada de câncer de rim

Estudo publicado em junho deste ano, no Journal of Urology (King SC e cols), mostra aumento da incidência de câncer de rim nos Estados Unidos nos anos de 2001 a 2010. Os resultados são coerentes com trabalho recente publicado (Globocan, 2012), que revela aumento da doença em todo o mundo. Discute-se que alguns fatores como obesidade, tabagismo e um possível aumento do número de exames de imagem tenham relação direta com esses dados.

O câncer de rim não apresenta sintomas nas fases iniciais. Sugiro avaliações periódicas com exame de urina, o qual pode revelar sangue. Além de combater a obesidade e o tabagismo.

Dia do Homem também é dia de prevenção

Todos os anos, no dia 15 de julho, é celebrado o Dia Nacional do Homem. A criação da data teve como objetivo a promoção da saúde e a busca por igualdade entre gêneros, reforçando a importância da prevenção de doenças por meio de exames e consultas periódicas com um médico.

Como o urologista é tido hoje como o médico do homem vemos a oportunidade de chamar a atenção não só dos homens, mas também das esposas, mães, filhas, irmãs desses que são os grandes provedores dos lares brasileiros, e que merecem ter sua saúde sempre em perfeita ordem.

Um estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) revelou que os índices relacionados ao acompanhamento médico de rotina ainda estão muito abaixo do ideal. De acordo com a pesquisa, realizada em seis capitais brasileiras com 5 mil homens, 44% dos entrevistados nunca passaram em consulta com um urologista e tampouco realizaram exames preventivos.

O recomendado é que os homens em geral, desde sua infância, tenham oportunidade de diagnosticar alterações como fimose, distopia testicular, e varicocele para falar das mais comuns. Lembrar que o câncer do testículo é o câncer mais comum do adulto jovem até os 40 anos de idade. O adulto jovem tem a fertilidade como fator de atenção, sendo que a metade dos casos de infertilidade pode ter o homem como responsável.

A sexualidade está fortemente presente desde adolescência até os últimos dias de vida da população masculina. O câncer da próstata, o mais comum do homem brasileiro, tem sido alardeado há mais de 30 anos. Para esse fim, frequentar o urologista a partir dos 45 anos de idade. Aqueles que possuem familiares diretos que sofrem ou já sofreram de câncer de próstata e os de raça negra devem começar as consultas por volta dos 40 anos de idade. E viva a saúde do homem.

Doutor Guimarães – Laparoscopia Urológica

No final de abril de 2014, o médico urologista Dr. Guimarães esteve em Barretos, município do estado de São Paulo, para um curso de laparoscopia urológica. Durante três dias, atividades práticas e debates foram realizados de forma a ampliar o conhecimento e aperfeiçoar a técnica dos profissionais presentes.

Na foto, Dr. Guimarães com os médicos franceses Abbou, Piechaud e Mandron.

Câncer de Bexiga – Novos conceitos para a tradicional ressecção trans-uretral

Um dos mais importantes pilares do tratamento do Câncer de Bexiga á a tradicional ressecção trans-uretral. Conceitos já sedimentodos e novo sparadigmas foram publicados na edição OnLine de Fevereiro de 2014, no Journal of Urology por Kyle A. Richards e cols.

Técnica refinada e a experiência do cirurgião mostraram-se fundamentais para a qualidade do procedimento. Ainda mais, o uso da anestesia regional e a re-ressecção nos tumores estádi o T1 mostraram-se importantes ferramentas na condução dessa doença frequente em pacientes idosos e tabagistas.

Os autores concluem que avanços recentes na técnica da ressecção endoscópica de tumores de bexiga facilitaram e aperfeiçoaram o diagnóstico e melhoraram o tratamento do câncer não invasivo da bexiga.

Imagem: Shutterstock/Piotr_pabijan

Biópsia líquida em câncer da próstata

Com as dificuldades inerentes ao métodos que hoje usamos para o diagnóstico do câncer da próstata, muito se tem tentado para substituir a biópsia da próstata. Resultados intrigantes e promissores usam o conceito novo de células tumorais circulantes, ou biópsia líquida. O método é não invasivo, é reproduzível e tem sido utilizado hoje para o monitoramento da doença prostática avançada. Autores da Universidade do Sul da Califórnia (Hu B et al) publicaram recentemente que não apenas o número dessas células circulantes, mas também características moleculares sofisticadas, podem no futuro substituir a tradicional biópsia.

Foto: Shutterstock/Maksym Dykha